terça-feira, 21 de abril de 2009

Lex Rosae Rubeae


Desde dos mais remotos tempos sou guardião de uma enorme jazida de rubi. Na verdade minha função sempre foi guardar um único rubi dessa jazida, ele é do tamanho de um punho cerrado de um adulto e fica no centro de um complexo cavernoso repleto de rubis menores e veias de metais.
Com certeza não é o rubi mais bonito nem o mais valioso do mundo mas afirmo com toda certeza que ele é extremamente raro.

Durante anos acompanhei de perto cada investida na tentativa de que esse rubi fosse conquistado. Vi pessoas que pensarem que chegaram perto, pessoas que sabiam que não poderiam chegar perto, pessoas que tiveram medo de chegar perto, pessoas que tocaram mas não tinham idéia do valor do que tinham em mãos e o abandonou tendo noção do terrível erro que haviam cometido depois, enfim...nenhuma vez ele tinha sido movido do lugar onde ele estava, cabiam a essas pessoas a satisfação temporária e ilusória de terem conseguido fazer escoar rubis menores, pois, que de um jeito ou de outro as enriqueciam, desse modo, o retorno aos seus locais de origem enriquecidos era uma certeza.

O lugar nato desse rubi maior é extremamente frio, comparado as geleiras da sibéria, por isso as tentativas se sempre foram arriscadas e infrutíferas. Só uma pessoa com o coração muito quente poderia aguentar diminuta temperatura e eu estava seguro que tal pessoa não existia nesse tempo.

E quando eu achava que o lugar era seguro e que nunca conseguiriam chegar; eis que conseguiram... não esbocei reação, afinal aquilo era uma premiação à uma pessoa digna que mesmo diante de tal dificuldade lutou tanto tempo pra conseguir o que queria sendo paciente e objetiva, vi que minha aposentadoria havia chegado depois de séculos de sofrimento e luta.

Confesso que me dá uma mistura de medo e tranquilidade. Medo por eu não saber o real destino do rubi que dei o melhor de mim para proteger e tranquilidade por estar sem uma responsabilidade tão grande nas minhas costas. A jazida ainda tem seus infinitos valores mesmo sem a pedra maior.

Hoje as pessoas ainda tentam alcançar o grande rubi sem saber que ele já não está mais lá. Olho para o enorme buraco onde repousava aquela grande pedra vermelha e fico imaginando seu futuro. Mas fico tranquilo, porque deus sabe de todas as coisas e se ele achar que por bem o precioso rubi deve voltar para seu leito prometo ser um guardião tão implacável que ninguém sairá dessa jazida nem mesmo com pedras menores.
A não ser que sejam amigáveis e dignos encontrarão a morte certa na mistura de beleza e horror do meu zero absoluto.
...e nesse mundo falta cor

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